A espondiloartrose anquilosante, também chamada de espondilite anquilosante, é uma doença inflamatória crônica da coluna vertebral que pode levar à fusão das vértebras. Está expressamente listada entre as condições que garantem isenção de Imposto de Renda ao aposentado pela Lei 7.713/88. Este guia explica o que é a doença, os critérios para isenção e o procedimento em 2026.

Isenção de IR: Espondilite Anquilosante (Espondiloartrose Anquilosante)

Resumo rápido

  • A espondiloartrose anquilosante é doença listada na Lei 7.713/88, com isenção de IR garantida.
  • O diagnóstico exige avaliação reumatológica, com exames de imagem e sorológicos (HLA-B27).
  • A isenção alcança aposentadoria, pensão e atrasados, com restituição dos últimos 5 anos.
  • Não é necessário que a doença incapacite, basta o diagnóstico confirmado.

A doença

A espondilite anquilosante é uma doença autoimune crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas. Causa dor lombar, rigidez matinal, fadiga e, em fases avançadas, fusão das vértebras com perda significativa da mobilidade. O diagnóstico envolve avaliação clínica reumatológica, exames de imagem (raio-X, ressonância magnética da sacroilíaca) e sorologia para HLA-B27 (marcador genético associado). O CID-10 é M45. A doença não tem cura, mas tem tratamentos que controlam a inflamação e preservam a função.

Por que está na lista

A inclusão da espondiloartrose anquilosante na lista da Lei 7.713/88 reflete o reconhecimento histórico da doença como condição grave, com impacto significativo na qualidade de vida e na capacidade laborativa. Diferente de algumas outras condições da lista, a espondiloartrose não exige comprovação de incapacidade ou gravidade específica para a isenção: basta o diagnóstico confirmado. O texto legal não condiciona a isenção a um estágio específico da doença, mas o enquadramento depende do laudo apresentado.

O laudo médico

Para o pedido administrativo, o laudo pericial precisa ser emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, com base na avaliação reumatológica, e deve conter:

  • CID-10 M45 (Espondilite anquilosante) ou correspondente da CID-11.
  • Descrição do quadro clínico e da evolução.
  • Resultados dos exames de imagem (sacroilíaca, coluna).
  • Resultado do HLA-B27 quando disponível.
  • Histórico de tratamento (anti-inflamatórios, imunobiológicos, fisioterapia).
  • Data do diagnóstico inicial (importante para o termo inicial da isenção).

Caminho administrativo

O pedido administrativo é feito pelo Meu INSS, na opção de isenção de IR por doença grave. Após análise (que pode incluir perícia médica oficial), aprovada a isenção, o desconto de IR cessa. Pode-se também pedir restituição dos últimos 5 anos à Receita Federal. Em caso de indeferimento administrativo, cabem o recurso na via administrativa e a ação judicial, com desfecho dependente da prova médica do caso.

Espondiloartrose x espondilose

Importante distinguir. A espondiloartrose anquilosante (espondilite anquilosante) é doença autoimune inflamatória, com causa imunológica e progressão característica. A espondilose ou espondiloartrose comum é doença degenerativa do envelhecimento, mais comum em idosos, sem a mesma natureza inflamatória. A primeira está na lista de isenção de IR; a segunda, não. O laudo deve ser preciso quanto ao diagnóstico para evitar indeferimentos por confusão diagnóstica.

Dica prática

Para facilitar o reconhecimento administrativo e evitar complicações, peça ao reumatologista um laudo que: cite expressamente “Espondilite Anquilosante” (sem ambiguidade), inclua o CID M45 destacado, mencione “doença listada na Lei 7.713/88 para isenção de IR” (deixando claro o objetivo), descreva os critérios diagnósticos atendidos (clínicos, imagem, sorologia). Um laudo claro e completo reduz pedidos de complementação de documentos.

Acompanhamento médico contínuo

A espondilite anquilosante é doença crônica e progressiva. O acompanhamento médico contínuo é fundamental tanto para o controle clínico quanto para sustentar o pedido de isenção em eventuais reavaliações. O INSS pode marcar perícia médica oficial para confirmar o diagnóstico no momento do pedido inicial e, em alguns casos, agendar revisões periódicas. Manter consultas regulares com o reumatologista, exames atualizados e prescrição de medicamentos contínua (anti-inflamatórios, imunobiológicos, fisioterapia) ajuda a comprovar a permanência do quadro.

Em paralelo à isenção de IR, vale verificar outros direitos correlatos: BPC quando aplicável, auxílio por incapacidade ou aposentadoria por incapacidade permanente em fases avançadas da doença, medicamentos de alto custo pela rede pública (alguns imunobiológicos são oferecidos pelo SUS), passe livre em transporte público. A doença afeta diversas dimensões da vida, e o conjunto de direitos disponíveis pode aliviar significativamente o impacto financeiro do tratamento.

Cada caso tem particularidades. Um advogado pode analisar a sua situação e indicar o melhor caminho.

Perguntas frequentes

Espondilite anquilosante isenta de IR?

Sim. Está expressamente listada na Lei 7.713/88. Basta o diagnóstico confirmado por reumatologista, sem necessidade de comprovação de incapacidade adicional.

Preciso comprovar incapacidade para receber a isenção?

Não. Para espondilite anquilosante, basta o diagnóstico confirmado. Diferente de algumas outras condições da lista, não exige prova de incapacidade laboral ou gravidade específica.

E a espondilose comum? Também isenta?

Não. A espondilose é doença degenerativa do envelhecimento, sem a natureza inflamatória autoimune. Não está na lista de isenção. Confusão diagnóstica gera indeferimentos.

Posso pedir restituição dos últimos 5 anos?

Sim. Reconhecida a isenção, vale pedir restituição à Receita Federal dos exercícios dos últimos 5 anos, com declarações retificadoras. Pode ser valor significativo.

O laudo precisa ser de reumatologista?

Idealmente sim, pelo conhecimento técnico. Em alguns casos, o INSS aceita laudos de outros especialistas (ortopedista, clínico) quando o diagnóstico é claro e os exames confirmam.

Outros artigos relacionados

Fontes e referências