LER/DORT são Lesões por Esforço Repetitivo e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. Estão entre as principais causas de afastamento no Brasil, especialmente em atividades com movimentos repetitivos, posturas inadequadas ou esforço físico contínuo. Quando há nexo entre a doença e o trabalho, o segurado tem direito ao auxílio-doença acidentário (B91), com proteções adicionais: estabilidade no emprego, FGTS durante o afastamento e cômputo do tempo como contribuição.

LER/DORT e Auxílio-Doença: Como Comprovar

Resumo rápido

  • LER/DORT incapacitante dá direito a auxílio-doença acidentário B91.
  • O B91 dispensa a carência de 12 contribuições exigida no B31, e ainda assegura estabilidade de 12 meses no retorno e FGTS recolhido durante o afastamento.
  • Comprovação por CIDs específicos (M75-M77, M65-M67, F45-F48), exames e laudos do médico do trabalho.
  • NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico) gera presunção automática em algumas atividades.
  • Auxílio negado ou classificado como B31: cabe recurso administrativo ou ação judicial.

🆕 Atualizações jurisprudenciais: 13/05/2026

🚨 STJ Tema 1.157 (decidido em 07/05/2026): O STJ pacificou que o INSS pode cancelar administrativamente benefícios por incapacidade concedidos pela Justiça, após nova perícia médica e respeitado o devido processo legal. Decisão vinculante em recurso repetitivo (portal STJ). Impacto: mesmo após vitória judicial, o benefício pode ser reavaliado em revisão administrativa. Manter laudos atualizados e comparecer a todas as perícias é essencial.

Índice deste guia

O que são LER e DORT

LER (Lesões por Esforço Repetitivo) é o conjunto de doenças causadas por movimentos repetitivos, posturas inadequadas ou esforço físico mantido. DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) é a nomenclatura técnica adotada pelo INSS para a mesma categoria de doenças.

Condições mais comuns

  • Tendinite e tenossinovite (CID M75, M65).
  • Síndrome do túnel do carpo (CID G56.0).
  • Bursite (CID M70-M71).
  • Epicondilite (cotovelo de tenista) (CID M77).
  • Lombalgia crônica relacionada ao trabalho (CID M54).
  • Cervicalgia crônica (CID M54.2).
  • Hérnia de disco lombar/cervical (CID M51).
  • Transtornos somatoformes relacionados (CID F45).

Profissões com maior incidência

  • Operadores de caixa em supermercados e bancos.
  • Digitadores e operadores de telemarketing.
  • Costureiras e operadoras de máquinas em confecções.
  • Trabalhadores em frigoríficos e linhas de montagem.
  • Profissionais da saúde (enfermeiros, dentistas).
  • Motoristas profissionais.
  • Construção civil (pedreiros, serventes).

Por que é caso de B91 e não B31

A LER/DORT é doença ocupacional por excelência: surge ou se agrava em função da atividade laboral. Por isso, em regra, é caso de auxílio-doença acidentário (B91), com base no art. 20 da Lei 8.213/91, que equipara doenças ocupacionais a acidentes de trabalho.

Vantagens do B91 em relação ao B31

  • Sem carência (12 meses no B31).
  • Estabilidade de 12 meses no emprego após retorno (art. 118 da Lei 8.213/91).
  • FGTS continua sendo recolhido pela empresa durante o afastamento.
  • O afastamento conta como tempo de contribuição quando intercalado com períodos contributivos (art. 19-C do Decreto 3.048/99): regra que vale para o B31 e para o B91.

Como comprovar o nexo com o trabalho

CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)

Documento principal. Obrigação de emissão pela empresa até o primeiro dia útil seguinte. Se a empresa não emitir, pode emitir o trabalhador, o sindicato, o médico assistente ou qualquer autoridade pública.

NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico)

Instrumento estatístico que presume o nexo entre certas doenças (lista CID-CNAE) e o setor de atividade da empresa. Quando a combinação é positiva, o INSS reclassifica para B91 automaticamente.

Laudos médicos detalhados

  • Laudo do médico do trabalho da empresa (quando disponível).
  • Laudo de médico ortopedista, reumatologista ou neurologista.
  • Exames complementares: ressonância, eletroneuromiografia.
  • Histórico de tratamento (fisioterapia, medicação).
  • Descrição da função e dos movimentos repetitivos.

Tratamentos típicos

  • Fisioterapia (essencial para a maioria dos casos).
  • Anti-inflamatórios e relaxantes musculares.
  • Acupuntura, RPG, pilates terapêutico.
  • Cirurgia em casos específicos (síndrome do túnel do carpo, hérnia de disco refratária).
  • Mudança de função ou reabilitação profissional pelo INSS.

Estabilidade no emprego após retorno

O art. 118 da Lei 8.213/91 garante 12 meses de estabilidade ao trabalhador que retornou de afastamento acidentário (B91), com afastamento superior a 15 dias. A empresa não pode demitir sem justa causa nesse período. Demissão irregular gera direito à reintegração ou indenização correspondente.

Quando o INSS classifica como B31 e devia ser B91

Situação frequente. Causas comuns:

  • Empresa não emitiu CAT.
  • NTEP negativo para a combinação CID-CNAE.
  • Perito não reconheceu o nexo.

Caminhos para reclassificar:

  • Recurso administrativo ao CRPS em 30 dias, com laudos demonstrando o nexo.
  • Ação judicial específica para reconhecimento da natureza acidentária.
  • Reclamatória trabalhista contra a empresa, com pedido de reconhecimento da doença ocupacional.

Passo a passo do pedido

  1. Garanta a emissão da CAT, pela empresa ou, na omissão, por você, sindicato ou médico assistente.
  2. Reúna os laudos de ortopedista/reumatologista/neurologista, exames (ressonância, eletroneuromiografia) e o histórico de fisioterapia.
  3. Documente a função e os movimentos repetitivos exercidos.
  4. Acesse o Meu INSS e selecione “Novo Pedido > Benefício por Incapacidade”.
  5. Na perícia, deixe claro o nexo entre a doença e a atividade laboral, peça a classificação como B91.
  6. Se for classificado como B31, recorra em 30 dias com os laudos de nexo. O julgamento pela Junta de Recursos do CRPS não tem prazo fixo em lei e costuma levar meses.

Distinção entre B31 e B91 tem impacto direto em estabilidade no emprego e em FGTS. Um advogado pode revisar o caso e indicar a estratégia.

Perguntas frequentes

Hérnia de disco dá B31 ou B91?

Depende do nexo com o trabalho. Hérnia em motorista profissional, pedreiro, enfermeiro, em regra é B91. Hérnia em profissão sedentária sem fator ocupacional específico tende a B31.

Tendinite no punho de operador de caixa: é B91?

Em regra, sim. Atividade clássica de movimento repetitivo. NTEP costuma ser positivo, gerando presunção automática.

Empresa pode demitir após retorno de LER/DORT?

Se foi B91 e o afastamento superou 15 dias, não. Há estabilidade de 12 meses. Demissão sem justa causa gera reintegração ou indenização.

Não tenho CAT. Posso pedir B91?

Sim. A CAT é uma das formas, mas não a única. Laudos médicos consistentes, NTEP positivo, histórico ocupacional, podem suprir.

LER/DORT pode virar aposentadoria por incapacidade permanente?

Sim. Quando a lesão é grave, refratária a tratamento e impede definitivamente o trabalho, sem possibilidade de reabilitação para outra função, o auxílio-doença pode ser convertido em aposentadoria por incapacidade permanente (B92, na natureza acidentária).

Posso ser readaptado em outra função na empresa?

Sim. Quando a LER/DORT impede a função habitual mas o trabalhador pode atuar em outra atividade, o INSS pode encaminhar para reabilitação profissional, e a empresa deve readaptá-lo em função compatível.

Veja também

Fontes