A duração da pensão por morte deixou de ser sempre vitalícia desde a Lei 13.135/2015, que introduziu prazos variáveis conforme a idade do cônjuge ou companheiro no momento do óbito. Para muitas famílias, essa regra ainda gera dúvida na hora de saber por quanto tempo o benefício será pago. Este guia esclarece a tabela, os requisitos e as exceções aplicáveis em 2026.

Resumo rápido
- A duração da pensão depende da idade do cônjuge/companheiro no óbito.
- A partir dos 45 anos, a pensão é vitalícia.
- Para a duração cheia da tabela, é preciso comprovar 18 contribuições do instituidor e 2 anos de casamento/união.
- Em caso de acidente ou doença profissional, essas exigências são afastadas.
- Para filhos, a regra é diferente: até 21 anos, salvo invalidez ou deficiência.
A tabela de duração
Para o cônjuge e companheiro, a Lei 8.213/91 (com redação da Lei 13.135/2015) prevê:
| Idade no óbito | Duração |
|---|---|
| Menos de 22 anos | 3 anos |
| 22 a 27 anos | 6 anos |
| 28 a 30 anos | 10 anos |
| 31 a 41 anos | 15 anos |
| 42 a 44 anos | 20 anos |
| 45 anos ou mais | Vitalícia |
A idade é a do dependente na data do óbito, não na data do pedido nem na data atual. Quem perdeu o cônjuge aos 44 anos, por exemplo, recebe pensão por 20 anos, mesmo que hoje já tenha 60.
Requisitos para aplicar a tabela
A aplicação da tabela exige dois requisitos cumulativos do instituidor: pelo menos 18 contribuições mensais ao INSS e pelo menos 2 anos de casamento ou união estável antes do óbito. Quando esses requisitos não são cumpridos, a pensão dura apenas 4 meses. Há, porém, exceções importantes que afastam essa redução:
- Acidente de qualquer natureza (do trabalho ou não).
- Doença profissional ou do trabalho.
Nessas hipóteses, a tabela é aplicada normalmente, mesmo sem as 18 contribuições ou os 2 anos.
Duração para filhos
Para filhos, a regra é distinta. A pensão é paga até os 21 anos, salvo quando o filho é inválido ou pessoa com deficiência. Filhos inválidos ou com deficiência intelectual, mental ou grave recebem a pensão sem limite de idade, enquanto perdurar a condição. A condição precisa ser comprovada por perícia médica do INSS.
O que acontece com a cota de quem perde o direito
Quando há mais de um dependente, a pensão é dividida em cotas iguais. À medida que cada dependente perde a sua cota (por falecimento, atingimento de idade, perda de qualidade), para óbitos a partir de 13/11/2019 essa cota de 10% é extinta e não é revertida (EC 103/2019); o total diminui, mas é redividido entre os remanescentes. Quando o último dependente perde o direito, a pensão se extingue. A regra de redistribuição segue padrão objetivo, sem necessidade de novo pedido a cada cessação individual.
Casos de cessação antecipada
A cessação antes do prazo da tabela ocorre nas hipóteses previstas em lei: condenação criminal transitada em julgado por homicídio doloso contra o instituidor, simulação de óbito e demais situações de fraude. O novo casamento e a nova união estável do cônjuge ou companheiro não constam do rol do art. 77, § 2º, da Lei 8.213/91 e, em regra, não fazem cessar o benefício. Nas hipóteses de fraude, o INSS instaura procedimento e cancela o pagamento, e a reativação só ocorre em circunstâncias muito específicas.
Cada caso tem particularidades. Um advogado pode analisar a sua situação e indicar o melhor caminho.
Perguntas frequentes
Como sei por quanto tempo vou receber pensão por morte?
Aplica-se a tabela do art. 77 da Lei 8.213/91 baseada na idade do cônjuge ou companheiro no momento do óbito. A partir dos 45 anos, a pensão é vitalícia. Antes disso, varia entre 3 e 20 anos.
Preciso de quantas contribuições do falecido para ter a duração cheia?
18 contribuições mensais e pelo menos 2 anos de casamento ou união estável antes do óbito. Sem esses requisitos, a pensão dura apenas 4 meses, salvo exceções por acidente ou doença profissional.
E se o óbito foi por acidente ou doença do trabalho?
Aplica-se a tabela normalmente, independentemente das 18 contribuições e dos 2 anos. As exceções por acidente ou doença profissional protegem famílias atingidas por eventos súbitos.
Por quanto tempo o filho recebe pensão?
Até completar 21 anos. Se for inválido ou pessoa com deficiência intelectual, mental ou grave, recebe sem limite de idade, enquanto perdurar a condição.
O que acontece quando um dependente perde a pensão?
Para óbitos a partir de 13/11/2019, a cota de 10% dele é extinta e não é revertida aos demais (EC 103/2019); o total diminui, mas é redividido entre os dependentes habilitados restantes. Quando o último dependente perde o direito, a pensão se extingue de modo definitivo.
Outros artigos relacionados
- Pensão por morte: guia completo
- Pensão por morte na união estável
- Pensão por morte para filho inválido ou PCD
- Pensão por morte para ex-cônjuge com alimentos