O contribuinte facultativo do INSS é a figura criada para permitir que pessoas sem atividade remunerada mantenham proteção previdenciária. Diferentemente das demais categorias, ele escolhe contribuir: não tem obrigação legal. É a opção para donas de casa, estudantes, desempregados de longa data e outros perfis que querem garantir aposentadoria, auxílio-doença ou salário-maternidade futuros. Este guia explica em profundidade o contribuinte facultativo em 2026.

Resumo rápido
- É quem não exerce atividade remunerada mas opta por contribuir.
- Três planos: normal (20%: código 1406), simplificado (11%: 1473) ou baixa renda (5%: 1929).
- O baixa renda exige CadÚnico atualizado, família com renda de até 2 salários-mínimos e dedicação exclusiva ao trabalho doméstico na própria residência, sem renda própria.
- Dá acesso a aposentadoria por idade e por incapacidade permanente, auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão; não cobre auxílio-acidente nem salário-família.
- Quem trabalha de verdade não pode ser facultativo: é contribuinte individual.
- É o caminho para donas de casa, estudantes e desempregados manterem cobertura.
Quem pode ser contribuinte facultativo
A lei prevê o facultativo no art. 13 da Lei 8.213/91 (e no art. 14 da Lei 8.212/91). Para se enquadrar, a pessoa precisa cumprir três requisitos:
- Ter 16 anos completos.
- Não exercer atividade remunerada que a torne segurada obrigatória.
- Optar pela contribuição, fazendo a inscrição no Meu INSS e o primeiro recolhimento.
Exemplos clássicos de quem pode ser facultativo:
- Donas e donos de casa que cuidam exclusivamente do lar.
- Estudantes sem outra atividade remunerada.
- Desempregados que já saíram do período de graça e querem manter cobertura.
- Bolsistas que recebem bolsas (em geral isentas de contribuição obrigatória).
- Membros de comunidades religiosas sem remuneração.
- Síndicos não remunerados. Atenção: o síndico isento da taxa condominial é considerado remunerado e se enquadra como contribuinte individual, não como facultativo.
- Estagiários nos termos da Lei do Estágio (Lei 11.788/2008).
Os três planos do facultativo
O facultativo escolhe entre três planos, com alíquotas e direitos diferentes:
| Plano | Código | Alíquota | Base | Aposentadoria por tempo |
|---|---|---|---|---|
| Normal | 1406 | 20% | Mínimo ao teto | Sim |
| Simplificado | 1473 | 11% | Apenas mínimo | Não (sem complementação) |
| Baixa renda | 1929 | 5% | Apenas mínimo | Não (sem complementação) |
O facultativo baixa renda: regras especiais
O facultativo baixa renda (código 1929) tem alíquota de apenas 5% do salário-mínimo: em 2026, R$ 81,05 por mês. É a opção de menor custo para garantir cobertura previdenciária. Para se enquadrar, é preciso cumprir três requisitos cumulativos:
- Estar inscrito no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais).
- Pertencer a família com renda mensal de até 2 salários-mínimos.
- Dedicar-se exclusivamente ao trabalho doméstico em sua própria residência (sem renda própria).
É um instrumento de inclusão importante: permite que donas de casa em situação de vulnerabilidade econômica tenham cobertura previdenciária acessível. A regra mais rigorosa é o dever de manter os requisitos: se a renda familiar subir ou se a pessoa começar a trabalhar, deve mudar de plano.
Direitos do facultativo
No plano normal (20%), o facultativo tem cobertura previdenciária completa: aposentadoria por tempo (nas transições), por idade, por incapacidade, auxílio-doença, salário-maternidade, pensão por morte. Nos planos simplificado e baixa renda, exclui-se a aposentadoria por tempo (sem complementação).
Os demais benefícios estão preservados nos três planos. O salário-maternidade não exige carência em nenhum dos planos: o STF (ADIs 2.110 e 2.111) afastou a antiga exigência de 10 contribuições. O auxílio-doença exige 12 contribuições mensais (carência), com algumas exceções para doenças graves listadas.
Como recolher: GPS
Como o contribuinte individual, o facultativo recolhe via Guia da Previdência Social (GPS). Os passos são iguais: gerar a guia no Meu INSS ou no portal Receita.gov.br, preencher NIT, código de pagamento (1406, 1473 ou 1929), competência (mês/ano) e valor. Vencimento no dia 15 do mês seguinte.
O primeiro passo é a inscrição como facultativo no Meu INSS. A filiação, porém, só se aperfeiçoa com a inscrição somada ao primeiro recolhimento, e não retroage a competências anteriores.
Mudanças de plano e situação
É possível mudar de plano a qualquer momento, simplesmente usando o novo código nas próximas guias. O que não dá para fazer é mudar retroativamente. Quem começou a trabalhar deixa de ser facultativo automaticamente: passa a ser contribuinte individual (se autônomo) ou empregado (se com vínculo). Continuar recolhendo como facultativo enquanto trabalha pode gerar contribuições inválidas.
Quando o facultativo faz sentido
A contribuição facultativa faz sentido especialmente em três situações:
- Continuidade: para não perder qualidade de segurada após o fim do período de graça (ex.: depois de demissão sem novo emprego).
- Acúmulo de tempo: para somar contribuições rumo à aposentadoria por tempo (nas transições).
- Cobertura pontual: para garantir salário-maternidade ou auxílio-doença em situações específicas.
Em todos os casos, vale comparar o custo com o benefício esperado. Contribuir 20% sobre o mínimo durante anos para uma aposentadoria de salário-mínimo pode ser caro. Contribuir 5% como baixa renda, quando enquadrado, é uma opção muito mais favorável.
Cada caso tem particularidades. Um advogado pode analisar a sua situação e indicar o melhor caminho.
Perguntas frequentes
Posso ser facultativo se faço bicos eventuais?
Em regra, não. Quem exerce atividade remunerada, mesmo informal e eventual, é contribuinte individual. O facultativo é para quem realmente não tem atividade.
Como faço a inscrição no facultativo baixa renda?
Primeiro, esteja inscrita no CadÚnico (no CRAS). Depois, filie-se ao INSS no Meu INSS, indicando a opção de baixa renda. As contribuições devem usar o código 1929.
E se a minha renda familiar passar de 2 salários-mínimos?
Você precisa migrar para outro plano: simplificado (11%) ou normal (20%). Contribuições feitas no plano baixa renda sem cumprir os requisitos podem ser invalidadas.
O facultativo tem direito a salário-maternidade?
Sim. Não há mais carência: o STF (ADIs 2.110 e 2.111) afastou a antiga exigência de 10 contribuições; basta manter a qualidade de segurada.
Donos de casa têm direito à aposentadoria pelo facultativo?
Sim. Pelo plano baixa renda (5%) é possível alcançar a aposentadoria por idade. Pelo plano normal (20%), também a aposentadoria por tempo (nas regras de transição).
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