O código de pagamento da Guia da Previdência Social define a categoria do segurado, o plano de contribuição e, com isso, os direitos cobertos. Usar o código errado é uma das causas mais frequentes de problemas: contribuições que não contam para certos benefícios ou que não geram a qualidade de segurado esperada. Este guia explica os códigos do INSS em 2026.

Resumo rápido
- Cada categoria + plano tem um código próprio na GPS.
- Os mais comuns: 1007, 1163, 1406, 1473, 1929.
- Código 1007 e 1406: 20%, com cobertura completa.
- Código 1163 e 1473: 11%, sem aposentadoria por tempo.
- Código 1929: 5% para o facultativo de baixa renda (CadÚnico).
Por que o código importa
Quando você paga a GPS, o INSS lê o código e classifica a contribuição. Esse código determina: (1) qual categoria de segurado você é; (2) qual a alíquota aplicada; (3) quais benefícios essa contribuição cobre; (4) se conta para aposentadoria por tempo de contribuição ou apenas por idade.
Código errado significa contribuição que pode não contar como você espera. Por exemplo: usar o 1163 (plano simplificado, 11%) achando que está garantindo aposentadoria por tempo: não está. A correção depois é possível, mas envolve burocracia e, em alguns casos, complementação retroativa.
Tabela dos principais códigos
| Código | Categoria | Alíquota | Direitos |
|---|---|---|---|
| 1007 | Contribuinte individual: plano normal | 20% | Cobertura completa |
| 1163 | Contribuinte individual: plano simplificado | 11% | Sem aposentadoria por tempo |
| 1406 | Facultativo: plano normal | 20% | Cobertura completa |
| 1473 | Facultativo: plano simplificado | 11% | Sem aposentadoria por tempo |
| 1929 | Facultativo baixa renda | 5% | Sem aposentadoria por tempo |
| 1600 | Empregado doméstico (código histórico da GPS; hoje o recolhimento é feito pelo DAE do eSocial Doméstico) | Progressiva 7,5% a 14% | Cobertura completa |
| 1708 / 2909 | Reclamatória trabalhista (1708 pelo NIT/PIS/PASEP; 2909 pelo CNPJ da empresa) | Variável | Conforme decisão |
Como escolher o código certo
Para o contribuinte individual (autônomo, liberal, sócio): use o 1007 se quer cobertura completa. Use o 1163 só se prioriza economia e não pretende aposentadoria por tempo (ou se planeja complementar mais tarde).
Para o facultativo (dona de casa, estudante, desempregado de longa data): use 1406 para cobertura completa; 1473 para alíquota menor; 1929 só se cumpre os requisitos de baixa renda: CadÚnico atualizado, família com renda de até 2 salários-mínimos, ausência de renda própria e dedicação exclusiva ao trabalho doméstico na própria residência.
Erros mais comuns
- Usar 1163 ou 1473 e esperar contar para aposentadoria por tempo.
- Usar 1929 sem cumprir os requisitos de baixa renda: contribuição pode ser invalidada.
- Usar o código do facultativo (1406/1473) enquanto exerce atividade: deveria ser individual.
- Não atualizar o código quando muda de categoria (parou de trabalhar, começou a trabalhar).
Como corrigir código errado
Se uma ou mais contribuições foram pagas com código errado, é possível solicitar retificação no CNIS pelo Meu INSS, no serviço “Solicitar retificação de dados no CNIS”. O processo exige a comprovação da categoria correta (contratos, declaração de IRPF, inscrição no CadÚnico para o 1929). Em alguns casos, é preciso complementar o valor para passar do simplificado ao normal.
Complementação de plano
Quem quer mudar do plano simplificado para o normal pode complementar as contribuições antigas. A diferença de alíquota (9% no caso do 11% para 20%, ou 15% no caso do 5% para 20%) é recolhida em GPS específica, com encargos. Depois da complementação, a contribuição passa a contar para aposentadoria por tempo.
Cada caso tem particularidades. Um advogado pode analisar a sua situação e indicar o melhor caminho.
Mudou de situação? Troque o código no mês certo
O código acompanha a sua condição real perante o INSS, e cada virada de vida pede a troca imediata. Quem sai do emprego CLT e passa a trabalhar por conta própria vira contribuinte individual (código 1007, ou 1163 no plano simplificado). Quem fica sem qualquer atividade remunerada pode contribuir como facultativo (1406 ou 1473). Quem volta a trabalhar por conta própria retorna ao 1007 no mesmo mês em que a atividade recomeça.
Pagar com código de facultativo enquanto exerce atividade remunerada é o erro mais perigoso: a lei veda essa filiação, e as competências podem ser desconsideradas na hora do benefício. O contrário (pagar como individual sem ter atividade) também gera questionamento. A regra de ouro é simples: o código retrata o mês, não o histórico.
Pagou errado? O ajuste é possível. Dentro da mesma categoria, o INSS faz a transferência de código por requerimento administrativo. Entre categorias diferentes, pode ser preciso complementar alíquota (caso típico: 11% para 20%, com a diferença de 9% mais acréscimos) ou pedir restituição do que foi recolhido indevidamente. O importante é corrigir antes do pedido de benefício, com o CNIS já saneado.
Perguntas frequentes
Paguei com código errado. Perdi a contribuição?
Não. É possível pedir retificação no CNIS, com comprovação da categoria correta. Em alguns casos, será necessário complementar o valor.
Sou autônomo e pago como facultativo. Tem problema?
Sim. Quem exerce atividade remunerada é contribuinte individual obrigatório. Pagar como facultativo enquanto trabalha pode gerar contribuições inválidas: corrija.
Vale a pena pagar o 1163 mesmo sabendo que perde a aposentadoria por tempo?
Depende do objetivo. Se a meta é aposentadoria por idade e cobertura ampla, sim. Se busca aposentadoria por tempo (nas regras de transição), o 1007 é o caminho.