A tendinite e a bursite estão entre as causas mais frequentes de afastamento do trabalho, especialmente em atividades com movimentos repetitivos e esforço. Quando essas inflamações incapacitam, podem gerar direito ao auxílio-doença, hoje chamado oficialmente de auxílio por incapacidade temporária, e, em muitos casos, ao benefício acidentário. Este guia explica quando o INSS concede o benefício por tendinite e bursite em 2026 e quando o quadro pode levar à aposentadoria.

Auxílio-Doença por Tendinite e Bursite: Quando o INSS Concede em 2026

Resumo rápido

  • Tendinite e bursite podem dar auxílio-doença quando impedem o trabalho.
  • Quando há ligação com o trabalho, o benefício é acidentário (B91).
  • O benefício acidentário garante estabilidade no retorno e mantém o FGTS.
  • A emissão da CAT é essencial para o reconhecimento do nexo.
  • Casos crônicos e sem recuperação podem evoluir para aposentadoria.

O que são tendinite e bursite

A tendinite é a inflamação de um tendão, a estrutura que liga o músculo ao osso. A bursite é a inflamação da bursa, uma pequena bolsa que reduz o atrito entre as estruturas das articulações. As duas costumam aparecer juntas e atingem com frequência os ombros, os cotovelos, os punhos, os quadris e os joelhos. Causam dor, redução de força e limitação de movimento. Os CID mais associados começam pelas combinações M65, M70, M75 e M77, conforme a articulação e a estrutura afetadas. Embora sejam muito comuns e nem sempre graves, em casos persistentes ou intensos podem incapacitar para o trabalho.

Quando geram direito ao benefício

Como em todo benefício por incapacidade, o que define o direito é a incapacidade laboral, e não o diagnóstico isolado. Tendinite e bursite leves, que respondem bem ao tratamento, geralmente não geram afastamento prolongado. O direito ao benefício surge quando a inflamação é intensa, persistente ou recorrente, e impede o segurado de exercer a atividade. Uma tendinite de ombro em quem trabalha levantando peso acima da cabeça, ou uma bursite de quadril em quem passa o dia em pé, são exemplos de quadros que podem afastar. A perícia avalia a intensidade do quadro frente às exigências da função. Parte dos pedidos de auxílio por incapacidade temporária pode ser decidida por análise documental (Atestmed), sem perícia presencial imediata, desde a Lei 14.441/2022. A Lei 15.265/2025 limitou essa via a 30 dias somados, ainda que em períodos não consecutivos, e portaria conjunta em vigor ampliou a soma para 90 dias, em caráter excepcional e transitório. O pedido de prorrogação, porém, é decidido por exame médico-pericial, presencial ou por telemedicina.

Tendinite, bursite e LER/DORT

Quando a tendinite e a bursite resultam de movimentos repetitivos, esforço, postura inadequada ou sobrecarga no trabalho, elas integram o grupo das LER/DORT, as lesões por esforço repetitivo e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Esse enquadramento é decisivo, porque transforma a doença em uma doença ocupacional, equiparada a acidente de trabalho. Profissões como digitadores, operadores de caixa, montadores de linha de produção, pedreiros, costureiras e profissionais de limpeza estão entre as mais afetadas. O reconhecimento da LER/DORT muda a natureza do benefício e os direitos do trabalhador.

O nexo com o trabalho: benefício acidentário (B91)

Quando há nexo entre a doença e o trabalho, o benefício deixa de ser comum (B31) e passa a ser acidentário (B91). A diferença é importante. O benefício acidentário garante estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno, mantém o depósito do FGTS durante todo o afastamento e tem natureza de acidente de trabalho. O nexo pode ser reconhecido pela CAT, pelo laudo médico que relaciona a doença ao trabalho, ou pelo chamado nexo técnico epidemiológico, que presume a ligação quando o CID da doença é estatisticamente associado à atividade econômica da empresa. Esse último mecanismo é aplicado de forma automática pelo INSS em muitos casos de tendinite e bursite.

A importância da CAT

A Comunicação de Acidente de Trabalho, a CAT, é o documento que formaliza a ocorrência da doença ocupacional. A obrigação de emiti-la é da empresa, mas, quando ela não o faz, a CAT pode ser emitida pelo próprio segurado, pelo sindicato, pelo médico assistente ou pela autoridade pública. Muitos trabalhadores deixam de receber o benefício acidentário simplesmente porque a CAT nunca foi emitida e o nexo não foi documentado. Por isso, diante de uma tendinite ou bursite ligada ao trabalho, registrar a CAT é um passo que protege direitos relevantes, como a estabilidade no emprego e a contagem do FGTS.

Documentos para a perícia

  • Atestado e laudos do ortopedista, com CID, descrição do quadro e indicação de incapacidade.
  • Exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância, que mostram a inflamação.
  • Histórico de tratamento: medicações, fisioterapia, infiltrações, eventual indicação cirúrgica.
  • CAT, quando houver relação com o trabalho.
  • Descrição detalhada da atividade, com os movimentos e esforços envolvidos.

Quando o caso evolui para aposentadoria

A maioria dos casos de tendinite e bursite se resolve com tratamento e afastamento temporário. No entanto, quadros crônicos, recidivantes e que não respondem ao tratamento podem comprometer de forma definitiva a capacidade de trabalho. Quando a perícia conclui que não há recuperação que permita o retorno à atividade, e que a reabilitação profissional para outra função não é viável, o quadro pode evoluir do auxílio-doença para a aposentadoria por incapacidade permanente. Isso é mais comum em trabalhadores mais velhos, com longo histórico de esforço repetitivo e múltiplas articulações comprometidas. A reabilitação profissional, oferecida pelo INSS, é uma etapa intermediária: o segurado pode ser treinado para uma função compatível com a limitação antes de se cogitar a aposentadoria.

Negativa e via judicial

Negativas em tendinite e bursite são comuns, porque são doenças muito frequentes e a perícia nem sempre reconhece a incapacidade ou o nexo com o trabalho. Quando o segurado discorda, cabe o pedido de prorrogação, o recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social e a ação judicial. Na via judicial, é possível discutir tanto a incapacidade quanto a natureza acidentária do benefício, com perícia independente. Documentação completa, com exames de imagem, histórico de tratamento e a descrição dos movimentos do trabalho, é a base para discutir a negativa e, quando for o caso, sustentar o pedido de reconhecimento do benefício acidentário.

Cada caso tem particularidades. Um advogado pode analisar a sua situação e indicar o melhor caminho.

Perguntas frequentes

Tendinite dá direito a auxílio-doença?

Pode dar, quando a inflamação é intensa ou persistente e impede o trabalho habitual. Tendinites leves, que respondem ao tratamento, em geral não geram afastamento prolongado. A perícia avalia a incapacidade.

Tendinite e bursite são consideradas doença do trabalho?

Quando resultam de movimentos repetitivos, esforço ou sobrecarga no trabalho, integram as LER/DORT e são equiparadas a acidente de trabalho. Nesse caso, o benefício é acidentário (B91).

Qual a diferença entre o benefício comum e o acidentário?

O acidentário (B91) garante estabilidade de 12 meses no emprego após o retorno, mantém o FGTS durante o afastamento e tem natureza de acidente de trabalho. O comum (B31) não tem essas garantias.

Preciso da CAT para receber o benefício acidentário?

A CAT facilita muito o reconhecimento do nexo. A empresa deve emiti-la, mas, se não o fizer, o próprio segurado, o sindicato ou o médico podem emitir. O nexo também pode ser reconhecido pelo nexo técnico epidemiológico.

Tendinite pode dar aposentadoria?

Pode, em casos crônicos e sem recuperação, quando a perícia conclui que não há retorno possível ao trabalho e a reabilitação para outra função não é viável. O quadro evolui então para a aposentadoria por incapacidade permanente.

Por que a tendinite costuma ser negada na perícia?

Porque é uma doença muito comum e a perícia nem sempre reconhece a incapacidade ou o nexo com o trabalho. A documentação completa, com exames de imagem e histórico de tratamento, é decisiva para reverter a negativa.

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Fontes e referências